Angústia

Como um tatu quando foge
gostaria de poder
me esconder em um buraco
tirar um tempo de mim
ter a cabeça vazia
como quando um avestruz
a enfia, embaixo da terra
e fica somente nela
areia pra preencher.

Como quando um bem-te-vi
a paisana no quintal
sente o bafo quente
da fome do predador
poe-se logo a voar
um tanto despreocupado
tendo apenas o cuidado
de saber quando descer

Que seja ela passageira
essa angústia que me consome
e pouco a pouco escurece
aquilo que um dia eu fui
que seja então passageira
a nuvem que me encobre
e não névoa que me torna
um passageiro de mim.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Credor ou Epitáfio

Marca D'água