Hoje a noite eu não dormi

Os barulhos de fora da minha porta
me avisam de algo a espreita
a luz cintila entre as botas
que movimentam o corredor aceso
Sussurros, falas em códigos
arrepiam a minha cabeça
será que chegou minha hora?
ou será mero devaneio?

O relógio me cobra o sono
mas meu corpo me cobra a fuga
se eu arquitetar minha saída
por essa janela de cima
talvez eu ainda tenha uma chance
talvez se eu pedir ajuda
mas como saber se eu confio
naquelas pessoas da rua?

De fato, me sinto cercado
mas vive o meu questionamento
se eu nunca externei pensamento
por que eu me sinto acuado?
quem são aqueles que decifram
as linhas do inconsciente
o Grande Irmão me aprisiona
com seu dom onisciente?

E como criança assustada
me encolho embaixo do lençol
como se fortificado
daqueles que querem meu mal
mas sei que de nada adianta
paredes, barreiras, distancias
se até o silêncio revela
que o fim do odioso sistema
é o meu habitat
natural.


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