Temporada de caça

Insano
o som do chicote
estrala no ar

eu fecho os olhos
pra ver se me lembro
de um tempo bom

e busco em lembranças
no som do estalinho
de são joão

encontro na infância
um lugar seguro
pra me transportar.

Abro os olhos
e tem um rapaz
ajoelhado

com as mãos amarradas
atrás de seu torso
despido de alma

seu corpo escuro
escorre o vermelho
todo recortado

enquanto o açoite
desenha motivos
no corpo e no ar

A cena dantesca
animalesca
me põe em náuseas

o som iterado
define o compasso
do meu desespero

a realidade
embaça em vertigem
e o meu apelo

é pelo cessar
dos semitons
em gargalhadas

É um novo tempo
dos homens de ontem
e seus capuzes

não há mais armários
nem becos escuros
pras suas verdades

são de Hamurabi
as suas leis
e suas espadas

E está aberta
a temporada
de caça.



















Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Credor ou Epitáfio

Marca D'água